
País de origem – Brasil
Diretor – Jorge Fernando
Gênero – Comédia
Duração – 77 minutos
Ano – 2008
O diretor Jorge Fernando já é uma figura bastante conhecida do público brasileiro. Ele iniciou sua carreira como ator e posteriormente como diretor de uma série de títulos da teledramaturgia. Sua popularidade se deve, obviamente, muito mais pelas obras televisivas do que as cinematográficas. "A Guerra dos Rocha" é, na realidade, seu terceiro longa metragem. Os anteriores foram "Sexo, Amor e Traição" e "Xuxa Gêmeas".
A História é simples: Dona Dina é uma senhora muito atrapalhada e seus 03 filhos têm que decidir qual será, de fato, o destino dela. Em meio ao fervor da decisão, eles não percebem sua ausência e, quando se dão conta, parece ser tarde demais. A obra é um remake de um filme argentino chamado "Esperando la carroza"
Este terceiro trabalho é realizado com um elenco de muito peso e, como era de se esperar, praticamente todos eles são muito conhecidos do espectador que acompanha as obras da TV. Nomes como Ary Fontoura, Giulia Gam, Lúcio Mauro Filho, Diogo Vilela e Nicete Bruno encabeçam a narrativa. Isso, de certa forma, serve para atrair o público das telenovelas às salas de cinema, pois tende a criar uma identificação com este espectador. Não que isso seja um fator negativo. Muito pelo contrário. É uma possibilidade de crescimento para o cinema nacional. Por um outro lado corre-se o risco de transformar a obra cinematográfica em uma novela a ser exibida na tela grande. Naturalmente não há este risco somente pela questão do elenco, mas sim pela experiência e até mesmo influência do próprio diretor. E no caso da obra em questão isso acaba acontecendo.
Jorge Fernando aposta em uma fórmula comercial e aqui trabalha com uma comédia de temática leve e popular. E o uso de uma linguagem mais acessível, comum e consequentemente comercial não é, de forma alguma, negativa. O cinema nacional, e até mesmo o mundial, não se utilizam e nem podem sobreviver única e exclusivamente de uma linguagem ou estética rebuscada. E o filme comercial acaba sendo sim uma boa opção de entretenimento. Obviamente que uma obra cinematográfica para ser eficiente, independentemente do gênero ou da linguagem que utiliza, deve ser no mínimo interessante ou deve apresentar aspectos que de uma forma ou outra se destaquem e chamem a atenção do espectador. E este acaba não sendo o caso de "A Guerra dos Rocha". Aqui, embora tenhamos boas interpretações, o elemento cômico não é suficientemente forte, a narrativa não é tão atraente, não há planos e movimentos de câmera tão elaborados e o filme, desta forma, não consegue prender a atenção e nem gerar entusiasmo para o público.
Ary Fontoura protagoniza a história. Faz um papel feminino e propositalmente, por uma opção da direção, não apresenta trejeitos femininos. Desta forma temos uma figura estranha: uma senhora com um jeito mais masculinizado. Esta opção é diferente, mas acaba não chamando tanta atenção quanto talvez devesse ou se esperasse. Aliado a isso temos algumas situações: Ailton Graça interpreta um segurança bajulador, Ludmila Dayer faz o papel da loura futil e superficial e ainda há a presença do cantor Felipe Dylon, que apresenta uma atuação não convincente e que pouco acrescenta à narrativa.
E quanto aos aspectos televisivos fundindo-se aos cinematográficos, o livro "Cinema Brasileiro Hoje" de Pedro Butcher, traz as seguintes observaçõesao se referir ao sucesso de "O Auto da Compadecida": "Guel Arraes sempre foi um defensor de que as linguagens de cinema e TV são as mesmas, apenas os veículos são diferentes". O livro traz ainda uma menção do cineasta Jorge Furtado a respeito do cinema e da televisão: "São a mesma linguagem, com os mesmos signos, a mesma força da fotografia, músicas, palavras, luz e movimento. A diferença não é como se faz, é como se vê". E ele ainda acrescenta: "o cinema, como disse Jean-Claude Carrière, ama o silêncio. [...] a televisão odeia o silêncio. A imagem na televisão precisa constantemente da muleta do som e da palavra". Certamente este tipo de discussão, além de muito rica, pode apresentar inúmeros olhares. Fato é que o filme cinematográfico acaba não tendo sua força somente na atuação de bons atores. A luz, a fotografia, a música, o silêncio, os planos, o enquadramento, a riqueza de detalhes de um cenário, a composição e proposta da direção de arte, os efeitos visuais, a elaboração de um bom argumento, a apresentação de um roteiro eficiente tornam-se fundamentais para o sucesso da obra fílmica. Na Televisão, mais especificamente na teledramaturgia, certamente a grande sustenção está na escolha dos atores e no desenvolvimento de suas atuações. Os diálogos também são fatores de sucesso nesta área, visto que irão mover a história. Já os outros elementos que compõem a obra acabam por agir de uma maneira menos intensa, sem apresentar tanta notoriedade, destaque ou independência.
Trabalhando de forma oposta a filmes como "Copacabana" de Carla Camurati e "O Outro Lado da Rua" de Marcos Bernstein, a obra de Jorge Fernando trata de uma temática séria e que poderia ter tudo também para ser um drama no mercado brasileiro. E essa temática é justamente sobre a terceira idade e todo o universo de conflitos, problemas e situações vivenciados pelas pessoas que por ela passam. Um assunto sério e não muito explorado no cinema nacional e que aqui acaba sendo abordado de uma maneira suave e branda, cujo objetivo é criar uma situação cômica e divertida.
E um dos pontos interessantes que "A Guerra dos Rocha" apresenta é a escolha das locações, pois o filme, ou praticamente quase todo, é ambientado no belo bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro. Um cenário bonito, interessante e agradável. Além disso, temos também a rápida e divertida atuação do diretor ao final da narrativa, fechando a história de uma maneira engraçada e fazendo o espectador questionar o motivo pelo qual Jorge Fernando não conseguiu manter este mesmo ritmo no decorrer de todo o filme.
BIBLIOGRAFIA:
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BUTCHER, Pedro. Cinema Brasileiro Hoje. São Paulo: Publifolha. 1ª edição 2005, 120 p.







