terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Guerra dos Rocha


Título original – A Guerra dos Rocha
País de origem – Brasil
Diretor – Jorge Fernando
Gênero – Comédia
Duração – 77 minutos
Ano – 2008


O diretor Jorge Fernando já é uma figura bastante conhecida do público brasileiro. Ele iniciou sua carreira como ator e posteriormente como diretor de uma série de títulos da teledramaturgia. Sua popularidade se deve, obviamente, muito mais pelas obras televisivas do que as cinematográficas. "A Guerra dos Rocha" é, na realidade, seu terceiro longa metragem. Os anteriores foram "Sexo, Amor e Traição" e "Xuxa Gêmeas".


A História é simples: Dona Dina é uma senhora muito atrapalhada e seus 03 filhos têm que decidir qual será, de fato, o destino dela. Em meio ao fervor da decisão, eles não percebem sua ausência e, quando se dão conta, parece ser tarde demais. A obra é um remake de um filme argentino chamado "Esperando la carroza"


Este terceiro trabalho é realizado com um elenco de muito peso e, como era de se esperar, praticamente todos eles são muito conhecidos do espectador que acompanha as obras da TV. Nomes como Ary Fontoura, Giulia Gam, Lúcio Mauro Filho, Diogo Vilela e Nicete Bruno encabeçam a narrativa. Isso, de certa forma, serve para atrair o público das telenovelas às salas de cinema, pois tende a criar uma identificação com este espectador. Não que isso seja um fator negativo. Muito pelo contrário. É uma possibilidade de crescimento para o cinema nacional. Por um outro lado corre-se o risco de transformar a obra cinematográfica em uma novela a ser exibida na tela grande. Naturalmente não há este risco somente pela questão do elenco, mas sim pela experiência e até mesmo influência do próprio diretor. E no caso da obra em questão isso acaba acontecendo.


Jorge Fernando aposta em uma fórmula comercial e aqui trabalha com uma comédia de temática leve e popular. E o uso de uma linguagem mais acessível, comum e consequentemente comercial não é, de forma alguma, negativa. O cinema nacional, e até mesmo o mundial, não se utilizam e nem podem sobreviver única e exclusivamente de uma linguagem ou estética rebuscada. E o filme comercial acaba sendo sim uma boa opção de entretenimento. Obviamente que uma obra cinematográfica para ser eficiente, independentemente do gênero ou da linguagem que utiliza, deve ser no mínimo interessante ou deve apresentar aspectos que de uma forma ou outra se destaquem e chamem a atenção do espectador. E este acaba não sendo o caso de "A Guerra dos Rocha". Aqui, embora tenhamos boas interpretações, o elemento cômico não é suficientemente forte, a narrativa não é tão atraente, não há planos e movimentos de câmera tão elaborados e o filme, desta forma, não consegue prender a atenção e nem gerar entusiasmo para o público.


Ary Fontoura protagoniza a história. Faz um papel feminino e propositalmente, por uma opção da direção, não apresenta trejeitos femininos. Desta forma temos uma figura estranha: uma senhora com um jeito mais masculinizado. Esta opção é diferente, mas acaba não chamando tanta atenção quanto talvez devesse ou se esperasse. Aliado a isso temos algumas situações: Ailton Graça interpreta um segurança bajulador, Ludmila Dayer faz o papel da loura futil e superficial e ainda há a presença do cantor Felipe Dylon, que apresenta uma atuação não convincente e que pouco acrescenta à narrativa.


E quanto aos aspectos televisivos fundindo-se aos cinematográficos, o livro "Cinema Brasileiro Hoje" de Pedro Butcher, traz as seguintes observaçõesao se referir ao sucesso de "O Auto da Compadecida": "Guel Arraes sempre foi um defensor de que as linguagens de cinema e TV são as mesmas, apenas os veículos são diferentes". O livro traz ainda uma menção do cineasta Jorge Furtado a respeito do cinema e da televisão: "São a mesma linguagem, com os mesmos signos, a mesma força da fotografia, músicas, palavras, luz e movimento. A diferença não é como se faz, é como se vê". E ele ainda acrescenta: "o cinema, como disse Jean-Claude Carrière, ama o silêncio. [...] a televisão odeia o silêncio. A imagem na televisão precisa constantemente da muleta do som e da palavra". Certamente este tipo de discussão, além de muito rica, pode apresentar inúmeros olhares. Fato é que o filme cinematográfico acaba não tendo sua força somente na atuação de bons atores. A luz, a fotografia, a música, o silêncio, os planos, o enquadramento, a riqueza de detalhes de um cenário, a composição e proposta da direção de arte, os efeitos visuais, a elaboração de um bom argumento, a apresentação de um roteiro eficiente tornam-se fundamentais para o sucesso da obra fílmica. Na Televisão, mais especificamente na teledramaturgia, certamente a grande sustenção está na escolha dos atores e no desenvolvimento de suas atuações. Os diálogos também são fatores de sucesso nesta área, visto que irão mover a história. Já os outros elementos que compõem a obra acabam por agir de uma maneira menos intensa, sem apresentar tanta notoriedade, destaque ou independência.


Trabalhando de forma oposta a filmes como "Copacabana" de Carla Camurati e "O Outro Lado da Rua" de Marcos Bernstein, a obra de Jorge Fernando trata de uma temática séria e que poderia ter tudo também para ser um drama no mercado brasileiro. E essa temática é justamente sobre a terceira idade e todo o universo de conflitos, problemas e situações vivenciados pelas pessoas que por ela passam. Um assunto sério e não muito explorado no cinema nacional e que aqui acaba sendo abordado de uma maneira suave e branda, cujo objetivo é criar uma situação cômica e divertida.


E um dos pontos interessantes que "A Guerra dos Rocha" apresenta é a escolha das locações, pois o filme, ou praticamente quase todo, é ambientado no belo bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro. Um cenário bonito, interessante e agradável. Além disso, temos também a rápida e divertida atuação do diretor ao final da narrativa, fechando a história de uma maneira engraçada e fazendo o espectador questionar o motivo pelo qual Jorge Fernando não conseguiu manter este mesmo ritmo no decorrer de todo o filme.


BIBLIOGRAFIA:


Disponível em: <
http://www.interfilmes.com/filme_19690_A.Guerra.dos.Rocha-(A.Guerra.dos.Rocha).html>. Acesso em 10.2009.

Disponível em: <
http://www.adorocinema.com/filmes/guerra-dos-rocha#curiosidades>. Acesso em 10.2009.

Disponível em: <
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Guerra_dos_Rocha>. Acesso em 10.2009.

Disponível em: <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Fernando_de_Medeiros_Rebello>. Acesso em 10.2009.

Disponível em: <
http://www.paradoxo-rs.blogger.com.br/guerra-dos-rocha-poster01.jpg>. Acesso em 10.2009.

BUTCHER, Pedro. Cinema Brasileiro Hoje. São Paulo: Publifolha. 1ª edição 2005, 120 p.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Este Blog acerta em Cheio


Este é o selo que o Tela Larga recebeu do amigo Ygor Moretti do blog Moviemento.

O Tela Larga agradece a indicação e recomenda os blogs que também acertam em cheio:

Dias de Tempestade
Mais uma Amèlie Poulain
MONSTRA
Música de Cinema

O MUNDO TEM INSCRIÇÕES SEMPRE ABERTAS

As recomendações são as seguintes:


1- Divulgue o nome de quem lhe indicou.

2 - Indique no minimo 5 Blogs para o selo.


Parabéns e muito sucesso a todos!!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Órfã


Título original – Orphan
País de origem – EUA
Diretor – Jaume Collet-Serra
Gênero – Suspense
Duração – 123 minutos
Ano – 2009


Um casal vive um conflito: a perda de um dos filhos. Decidem então, com o intuito de superar o fato, adotar uma criança. Este é o ponto de partida que move o filme "A Órfã" e que, de certa maneira, pode enganar o espectador, pois a princípio parece que estamos lidando com mais um drama americano que trata de perdas e conquistas. Grande erro. O filme até explora isso sim, mas a proposta real é absolutamente distinta.

Escrito por David Johnson e Alex Mace e dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra, a narrativa é um suspense intenso e até mesmo violento. E este espanhol não é inexperiente no assunto, pois foi também responsável pelo filme "A Casa de Cera" que, embora apresente uma história diferente, utiliza o mesmo gênero para contá-la.

A rotina do casal e de seus dois filhos é quebrada com a chegada de Esther, a jovem adotada. Ela se mostra uma jovem educada, inteligente e apresenta comportamento diferente das outras crianças. No início tudo é praticamente perfeito, porém à medida que os dias passam, os problemas surgem. Esther vai pouco a pouco dominando os membros da família até despertar suspeitas e desconfianças de Kate, sua mãe adotiva.

"A Órfã" começa devagar, lento, mas seu ritmo vai aumentando com o decorrer do filme. A narrativa apresenta uma série de aspectos: Há alguns sustos garantidos, embora ocorram em situações ou momentos gratuitos e fora de propósito; utiliza baixa iluminação, tornando assim a fotografia escura e contribuindo para intensificar a densidade das cenas e aumentar o clima de suspense; cria uma atmosfera misteriosa, obscura, densa e consequentemente tensa ao redor de Esther e sua origem; mune os espectadores de pistas, envolvendo-os assim na trama e na descoberta dos enigmas apresentados; trabalha com um roteiro convencional e linear. E um dos pontos mais altos do filme se encontra justamente no aspecto de envolvimento com o público. Aí a narrativa consegue força e êxito muito grandes, pois o diretor consegue fazer com que o espectador anseie em descobrir, juntamente com os personagens, o segredo que ronda a vida da protagonista. O público chega até mesmo a torcer para que o desfecho aconteça o mais rápido possível, para que desta forma todo o enigma seja desvendado.

O diretor, de maneira inteligente, cria uma frase de efeito para o filme que estimula o espectador a conferir a obra. Com um cartaz que exibe apenas o rosto enigmático da protagonista, Jaume Collet-Serra lança o seguinte termo: "Há algo errado com Esther". Esta frase de efeito, oficialmente conhecida como Tag Line, desperta no público a curiosidade para conferir o mistério desta personagem.

E por incrível que possa parecer é justamente aí que encontramos o grande problema desta obra. Após criar inúmeras expectativas e envolver o público de forma intensa, o diretor revela quem é e o que acontece de fato com Esther. E nesta hora a narrativa perde toda a sua força e vigor, fazendo com que o espectador chegue até mesmo a desvalorizar o filme. A explicação beira o exagero, o absurdo. E por parte do público fica o questionamento: "Puxa, mas é este o segredo de Esther?". Falta plausibilidade no argumento e, desta forma, "A Órfã" não somente decepciona, mas cai no descrédito total.

Há, entretanto, um ponto que é forte no filme. Ele talvez até justifique a ida do público às salas de cinema para conferir a narrativa. E especificamente estamos falando aqui da atuação de Isabelle Fuhrman, a protagonista da história. A direção de atores de "A Órfã", em linhas gerais, se mostra competente, porém no caso de Isabelle há bem mais do que isso. Não somente os gestos e falas são convincentes, mas as expressões, os olhares, o semblante, a fisionomia. Todo este conjunto dá, verdadeiramente, vida à Esther, que se mostra não apenas obscura, mas assustadora, sinistra e impactante. Este é o segundo longa cinematográfico desta americana de apenas 12 anos. Seu primeiro filme foi "Hounddog". Aqui ela mostra que veio, de fato, para ocupar as primeiras filas dos grandes talentos Hollywoodianos.

Ainda assim, nenhuma direção de atores, por mais brilhante que seja, é suficiente para segurar uma narrativa não convincente. E esta é exatamente a situação de "A Órfã", que teria tudo para ser um filme interessante, mas que por apresentar uma conclusão frágil e sem muita consistência, torna-se pouco atrativa. E para nós, ávidos apreciadores da sétima arte, basta torcer para o próximo lançamento deste diretor, confiantes de que ele consiga realizar uma obra que seja competente não somente no início e meio, mas também no final.


BIBLIOGRAFIA:

Disponível em: <
http://www.pipocablog.com/post/758/a-orfa-filme-de-suspense-e-terror-produzido-pela-warner>. Acesso em 09.2009.

Disponível em: <
http://www.cinepop.com.br/filmes/orfa.htm>. Acesso em 09.2009.

Disponível em: <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jaume_Collet-Serra>. Acesso em 09.2009.

Disponível em: <
http://www.interfilmes.com/buscaperson.Isabelle%20Fuhrman.html>. Acesso em 09.2009.

Disponível em: <
http://www.gnccinemas.com.br/imagens/cartazes/a_%C3%B3rf%C3%A3.jpg>. Acesso em 09.2009.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

G.I. Joe - A Origem de Cobra


Título original – G.I. Joe: Rise of Cobra
País de origem – EUA
Diretor – Stephen Sommers
Gênero – Ação
Duração – 107 minutos
Ano – 2009

O diretor Stephen Sommers já é bastante conhecido nas terras brasileiras, afinal de contas foi responsável pela direção de filmes muito populares como: “A Múmia”, “O Retorno da Múmia” e “Van Helsing – O Caçador de Monstros”.


Pelo currículo acima citado, facilmente conseguimos identificar que este americano gosta de ousar e de realizar produções repletas de aventuras, ações e de muito efeitos especiais. E “G.I. Joe – A Origem de Cobra” não foge à regra.


A narrativa é, na realidade, uma adaptação dos quadrinhos e da série televisiva “Comandos em Ação”. Com a missão de proteger o mundo, a equipe G.I. Joe deve deter uma organização do mal chefiada por um traficante de armas. Dotados de armas poderosas e de equipamentos de alta tecnologia, os personagens se movem incessantemente durante pouco mais de uma hora e meia de exibição, fazendo o espectador quase perder o fôlego. A narrativa é intensa, apresentando ritmo frenético e rápido; os efeitos especiais são caprichados e enchem os olhos do público; os cenários são grandiosos e conseguimos apreciar tanto o deserto Egípcio quanto as gélidas terras dos Pólos. Tudo isso, obviamente, contribui para causar uma boa expectativa e ótima impressão para os que adentram as salas de cinema. Sommers usa e abusa da técnica e causa impacto com sua produção.


E além de toda a ação, há também um conflito como pano de fundo. E este conflito revela e justifica toda a revolta, brutalidade e atitude da personagem Baronesa, interpretada pela atriz Sienna Muller. Obviamente não há qualquer profundidade ou densidade neste aspecto, até mesmo pelo fato de que não é este o foco principal da trama. O que importa, verdadeiramente, é a ação em si.


Há cenas interessantes, grandiosas. Certamente a de maior evidência é o ataque das forças do mal em plena Paris. Ali os vilões têm a chance de usar um material poderoso que consegue corroer metal e, sendo assim, a capital francesa se torna um caos.


O roteiro é tradicional: A narrativa é linear; há luta do bem contra o mal; presença clara e marcante de antagonistas e protagonistas; pontos de virada; subtramas. É a fórmula certa para dar resultado garantido e satisfatório. E isso sem contar o trabalho de pesquisa do diretor, que foi imenso e muito trabalhoso. Sommers teve que assistir 185 episódios dos desenhos e ler 180 edições da série de quadrinhos. Desta forma conseguiu dar vida e forma ao filme.


Jean-Claude Carrière faz o seguinte comentário em seu livro “A linguagem secreta do cinema”: “Os avanços técnicos fazem parte, simplesmente, da ordem natural das coisas; nunca significaram que uma forma de arte estivesse progredindo”. E ao falar sobre as facilidades técnicas, Carrière complementa: “E continuamos virtualmente cegos para o essencial: nossa escassez de inventividade verdadeira, nossas lamentáveis idéias repetitivas, nossas histórias cheias de lugares comuns.” E essas colocações aqui citadas parecem se encaixar perfeitamente na obra de Sommers, pois há excesso de efeitos e a história fica a desejar.


A verdade é que “G.I. Joe – A Origem de Cobra” teria tudo para se tornar grande e poderoso, mas na realidade não consegue chegar lá. Apesar de tanta técnica e sofisticação de efeitos e imagens, a narrativa é chata, cansativa, não consegue prender a atenção do público e, de fato, os efeitos acabam se tornando os grandes protagonistas da história. A trama, por si só, não tem sustentabilidade.


A intensidade da ação chega, em alguns momentos, até mesmo a gerar certa confusão. Há um trecho em que não conseguimos sequer identificar quem faz parte da equipe do bem e quem faz parte da equipe do mal, pois os equipamentos de locomoção começam a se chocar uns com os outros de maneira frenética, confundindo assim o espectador.


O filme de Sommers chegou a atingir a primeira colocação nas bilheterias americanas com a arrecadação de US$ 56,2 milhões, mostrando que, de fato, este cineasta busca e realiza projetos ousados.


E a obra também aproveita a chance de abraçar uma outra fatia do mercado que vai além do filme em si: a oportunidade para a criação dos bonecos da série. Isso certamente irá agradar a legião de fãs do seriado e, de uma certa forma, talvez seja a grande ou talvez até a única justificativa de fazer com que “G.I. Joe – A origem de Cobra” tenha sido concebido para o cinema.


BIBLIOGRAFIA:


CARRIÈRE, Jean-Claude. A linguagem secreta do cinema. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 2ª edição 1995, 224p.

Disponível em: <

http://www.interfilmes.com/filme_19634_G.I.Joe.A.Origem.de.Cobra-(G.I.Joe.Rise.of.Cobra).html>. Acesso em 08.2009.

Disponível em: <http://cinema.sapo.pt/filme/gi-joe-the-rise-of-cobra>. Acesso em 08.2009.


Disponível em: <http://www.cinemaemcena.com.br/Perfil_Detalhe.aspx?id_entidade=1133&ID_FILME=2728>. Acesso em 08.2009.


Disponível em: <http://www.confrariadecinema.com.br/personalidade.jsp?id=220>. Acesso em 08.2009.


Disponível em: <http://cinema.uol.com.br/ultnot/2009/08/04/ult4332u1178.jhtm>. Acesso em 08.2009.


Disponível em: <http://www.cenasdecinema.com/2009/08/gi-joe-origem-de-cobra.html>. Acesso em 08.2009.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

The Brown Bunny


Título original – The Brown Bunny
País de origem – Estados Unidos / Japão / França
Diretor – Vincent Gallo
Gênero – Drama
Duração – 90 minutos
Ano – 2003


Bud Clay, um piloto de motos, tenta a todo custo se desfazer das lembranças de Daisy, sua namorada. E para isso ele se envolve com as mulheres que conhece ao longo de sua jornada. São envolvimentos rápidos, passageiros, superficiais, sem qualquer tipo de comprometimento.


Utilizando-se desta justificativa é que o americano Vincent Gallo conduz o seu segundo longa-metragem. E o diretor assume inúmeras outras responsabilidades nesta narrativa. Ele é também o roteirista, produtor, diretor de fotografia, editor, diretor de arte e ator, além de ter uma co-participação na parte musical. Gallo, mais do que um diretor, demonstra ser um cineasta completo. Completo e complexo, pois apresenta uma estética narrativa bastante peculiar e que, certamente, não agradará ao público de uma forma geral.


The Brown Bunny” é, na realidade, um drama que foge bastante às convenções do gênero. Muito longe de termos um apelo emotivo ou até mesmo uma história essencialmente triste, o filme explora os aspectos psicológicos, em especial do protagonista, com muita densidade e propriedade. E o diretor consegue fazer isso com muita eficácia.


Bud Clay, interpretado pelo próprio Gallo, é um homem perturbado, atormentado, desiludido e sem rumo. Aos poucos vamos descobrindo que a morte da namorada e suas lembranças são fatores que o angustiam. E o espectador se torna cúmplice fiel desta conclusão, pois Gallo nos traz para o filme e passamos a vivenciar, assim como o protagonista, o vazio de sua vida. E é justamente neste ponto que o filme se torna uma ótima obra, mas também cria um grande problema.


A narrativa apresenta enquadramentos estranhos, closes intensos, imagens fora de foco, poucos diálogos, falta de ação. Praticamente nada acontece durante todo o filme. Todos estes fatores são sinais de que a vida de Bud é sem direção, sem sentido, sem sabor. O vazio parece rondar seu destino. E isso tudo se torna transparente para o público, pois passamos a vivenciar tais sensações ao acompanharmos a história. Com isso Gallo consegue obter êxito na sua proposta, mas por outro lado a narrativa se torna enfadonha e, em diversos momentos, entediante. Certamente isso contribui para que ocorra dispersão por parte do espectador.


Já vimos utilização de técnica semelhante em ótimas obras como “A Vida de Jesus” de Bruno Dumont, onde a rotina da vida do personagem principal é vivida também pelo espectador, através de um cotidiano onde praticamente nada acontece. O filme “O Rio” de Tsai Ming-Liang também apresenta proposta muito parecida no sentido estético da narrativa, pois utiliza-se de poucos diálogos, enfatiza o lado mecânico da vida, mostra a perturbação psicológica pelo qual os personagens passam.


Diferentemente dos casos acima citados, “The Brown Bunny” peca pelo excesso e isso acaba comprometendo, de certa forma, o andamento do filme. Mesmo em se tratando de uma narrativa pouco convencional, dirigida para um público que deseja apreciar a obra cinematográfica sem se preocupar com imagens repletas de ação ou de efeitos, o filme sofre dificuldades em sustentar, não o argumento, mas sim o público.


Os pontos de virada do roteiro são praticamente inexistentes, exceto com a proximidade do fim da narrativa, onde há um encontro entre Bud e sua namorada. E exatamente neste ponto é que acontece a cena de um relacionamento sexual oral em que, além do ato em si, o espectador terá algumas revelações. A cena é mostrada de forma bastante explícita e poderia ter sido reduzida. Distante de ser uma sequência gratuita ou desnecessária, uma economia de tempo geraria, muito provavelmente, um resultado benéfico. Foi uma sequência bastante comentada entre os críticos de cinema.


Este segundo trabalho de Gallo teve um orçamento de 10 milhões de dólares. Foi considerado por diversos críticos como o pior filme já selecionado para a Mostra Competitiva do Festival de Cannes, porém, após sofrer um corte de aproximadamente 20 minutos, foi elogiado pelos mesmos críticos que o renegaram. E desta forma venceu o prêmio da crítica no Festival de Veneza.


O próprio diretor fez a seguinte afirmativa: “O meu filme é um desastre. Nunca mais vou dirigir.” Certamente Gallo exagerou na colocação a respeito do próprio trabalho e, sem dúvida nenhuma, o cineasta parece ser uma grande e interessante opção para os que buscam um cinema alternativo e com conteúdo. Evidentemente mais um nome para contribuir com o Cinema Autoral.


BIBLIOGRAFIA:


Disponivel em: <
http://www.omelete.com.br/cine/100002577.aspx>. Acesso em 07.2009

Disponivel em: <
http://www.adorocinema.com/filmes/brown-bunny/brown-bunny.asp>. Acesso em 07.2009

Disponivel em: <
http://www.coisadecinema.com.br/matCriticas.asp?mat=2200>. Acesso em 07.2009

Disponivel em: <
http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=7608>. Acesso em 07.2009

Disponivel em: <
http://pt.wikiquote.org/wiki/Vincent_Gallo>. Acesso em 07.2009

Disponivel em:<
http://battlenerds.wordpress.com/2008/12/22/the-brown-bunny/>. Acesso em 07.2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Verônica


Título original – Verônica
País de origem – Brasil
Diretor – Maurício Farias
Gênero – Ação
Duração – 87 minutos
Ano – 2009


Ação, tiroteio, drogas, corrupção e uma correria intensa fazem parte do universo do filme “Verônica”.
A história é simples: Verônica é uma professora da rede municipal. Cansada com a rotina dura de sua profissão, ela enfrenta o problema de saúde com a mãe. Separada do marido, um policial interpretado pelo ator Marco Ricca, Verônica não somente mora, mas também tem que se virar sozinha.
Até aqui não parece haver muita novidade, afinal de contas muitas pessoas se enquadram em modelos muito semelhantes. O que Verônica ainda não sabe é que a sua vida sem graça e comum está prestes a mudar de rumo. E isso acontece quando ela leva um de seus alunos de volta para casa e se depara com o assassinato dos pais do menino. E o alvo dos assassinos é agora o próprio menino. E para completar a desgraça, os bandidos estão ligados à polícia corrupta do Rio de Janeiro.

O diretor Maurício Farias assina aqui seu terceiro longa metragem. Para quem não sabe ele já dirigiu “O Coronel e o Lobisomem” e “A Grande Família – O Filme”, além também de ser diretor do seriado televisivo “A Grande Família”. Filho do cineasta Roberto Farias, Maurício assina também o roteiro e a produção, ao lado de Bernardo Guilherme e Sílvia Fraiha respectivamente.

Verônica” já começa com uma abertura excelente e eficaz, pois insere o público no clima do filme. Uma animação apresenta todo o elenco e a equipe técnica, ao mesmo tempo em que revela os primeiros sinais do que o espectador irá ver ao longo da obra. Com ritmo pesado e frenético, a música de abertura também ajuda a intensificar a ação da narrativa.

A partir daí o filme vai tomando forma, corpo e conteúdo, pois as ações são intensas e a trama é, de certa forma, bem articulada. E de uma maneira bastante eficiente, Farias consegue prender o espectador angustiado até o final da obra. E esta é, na realidade, a grande faceta desta narrativa.

Verônica” se utiliza de um roteiro linear, com pontos de virada bastante perceptíveis e, mesmo com alguns questionamentos quanto à veracidade das ações dos personagens, o que de fato vai importar para o público é o resultado da fuga da professora com o aluno.
E desta maneira, ao longo dos quase 90 minutos de filme, não paramos de questionar: Será que irão escapar da perseguição de forma segura?

A protagonista da história é a atriz Andréa Beltrão, esposa do diretor. Fez uma interpretação bastante convincente, conseguindo se desvencilhar do estereótipo cômico que costumamos encontrá-la. E o próprio diretor confessou: “O filme foi feito especialmente para a Andréa que, além de atuar, produziu e colaborou com o roteiro. Há muitos anos sonhava em trabalhar no cinema com ela, tê-la como protagonista”.
Ao lado de Andréa encontramos também o ator Matheus de Sá, que fez uma boa interpretação do garoto Leandro, e o já comentado ator Marco Ricca, que fez uma atuação bastante digna na pele do ex-marido de Verônica.
Dentre os personagens secundários temos ainda a presença de ótimos nomes como Flávio Migliaccio e Ailton Graça, que embora não tenham presença constante na história, são nomes que no mínimo enriquecem o elenco da obra.

Mas há um único problema na narrativa. Talvez não seja um problema de fato, mas no mínimo é assunto para gerar questionamento. E ele está justamente ligado aos personagens de Verônica e Leandro.
Logo no início da obra o espectador começa a perceber que Verônica é uma professora desgastada com a profissão, vive uma rotina bastante cansativa e sente a necessidade de mudar. Com problemas familiares e, de certa forma, sentimentais, a professora vai se transformando no decorrer da narrativa e passa de oprimida a destemida.
Leandro, o garoto cujos pais foram assassinados, fica sabendo da perda ouvindo uma conversa atrás da porta. De imediato parece sofrer um impacto e foge, mas ao reaparecer não parece dar demonstrações de sofrimento com a situação.
Pois bem, o que justamente parece faltar é maior credibilidade a estes dois personagens quando levamos em conta suas origens, transformações e atitudes.
Será mesmo que uma professora com vida rotineira e tediosa teria a coragem para comprar a briga com traficantes e com a própria polícia? O garoto se manteria tão indiferente diante da perda dos pais?
Estas são especulações que nos fazem refletir no decorrer da obra e que podem, de alguma forma, tirar um pouco da força destes dois personagens, ainda que não decepcione a narrativa como um todo.

Ainda falando nos personagens, identificamos certa semelhança de Verônica e Leandro com Dora e Josué, os protagonistas do filme “Central do Brasil” de Walter Salles, que foram interpretados por Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira.
Obviamente que Verônica e Leandro se encontram em situação um pouco diferenciada, em contextos diversos, mas tal qual a obra de Salles, aqui também vemos vidas separadas que de alguma forma vão se unindo e se fortalecendo.
Em ambas as obras o sentimento de solidariedade vai surgindo aos poucos e a relação de afeto e proteção vai crescendo.

Um outro aspecto interessante em “Verônica” é a montagem.
Quando a professora fica sabendo da situação do aluno e do perigo iminente que correm, a câmera faz um movimento circular e mostra o rosto da protagonista de um ângulo diferente. Neste momento várias imagens lhe surgem à mente. Através de cortes secos e rápidos vemos cenas do carro de polícia, os corpos dos pais de Leandro sendo transportados, a morte de sua mãe, o cotidiano da professora. É a vida passando em segundos por sua cabeça. A atmosfera e o ritmo criados são intensos, frenéticos, alucinantes.
A partir deste momento a imagem do filme também sofre modificação. A fotografia clara e natural se torna opaca, granulada e cru, intensificando assim a mudança pela qual a personagem irá passar.
Situação semelhante também ocorre quando a professora, refugiada na casa da amiga, começa a refletir sobre sua vida. Imagens rápidas com cortes secos são inseridas, demonstrando assim a angústia que Verônica vivencia.

A trilha sonora, assinada por Branco Mello e Emerson Villani, é também bastante competente e cria uma ambientação muito adequada para a história.

Em aspectos gerais podemos, sem sombra de dúvida, afirmar que a obra de Farias é muito eficaz. Ele consegue prender o espectador, gerar suspense, criar angústia. Mais do que isso, sua obra também serve como crítica e reflexão, pois lida com aspectos sociais delicados.
Embarca na carona de filmes como “Tropa de Elite” ao denunciar a corrupção da polícia, mostra de forma sutil o sistema falido na área da saúde e aponta para o caótico universo educacional pelo qual passa nosso país.
E são todos estes detalhes que fazem “Verônica” receber nosso mais profundo respeito e atenção.


BIBLIOGRAFIA:


Disponivel em: <
http://www.cinepop.com.br/filmes/veronica.htm>. Acesso em 06.2009

Disponivel em: <
http://cinefilapornatureza.wordpress.com/2009/02/16/veronica/>. Acesso em 06.2009

Disponivel em: <
http://pilulapop.virgula.uol.com.br/ressonancia.php?id=20>. Acesso em 06.2009

Disponivel em: <
http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=12147>. Acesso em 06.2009

Disponivel em: <
http://www.caras.com.br/edicoes/797/textos/mauricio-farias-e-andrea-beltrao/>. Acesso em 06.2009












sábado, 30 de maio de 2009

Anjos da Noite - A Rebelião



Título original – Underworld: Rise of the Lycans
País de origem – Estados Unidos
Diretor – Patrick Tatopoulos
Gênero – Ação
Duração – 92 minutos
Ano – 2009


O francês Patrick Tatopoulos assume aqui sua estréia na direção de um longa metragem. Para quem não sabe, Tatopoulos tem um currículo que certamente pode ser classificado como exemplar. Ele já atuou nos Departamentos de Arte, Efeitos Especiais e Efeitos Visuais. Teve também atuações como figurinista, maquiador e até mesmo como ator. Dentre seus inúmeros trabalhos e funções podemos destacar “Alien Vs. Predador”, “Eu sou a Lenda”, “Eu, Robô”, “Duro de Matar 4.0” e “Anjos da Noite”.


Anjos da Noite – A Rebelião” mostra o conflito existente entre os vampiros e os lobisomens. O jovem Lucian é, na realidade, um líder da raça dos Lycans e que tem como função comandar os lobisomens. Ele está sob as ordens de Viktor, o vampiro poderoso que escravizou a raça dos Lycans. Lucian se revolta e luta por sua liberdade, assim como a de seu povo. Para completar a trama temos um romance como pano de fundo. Lucian se alia e se apaixona por Sonja, filha de Viktor. O grande problema é que este romance é considerado proibido. A partir daí já temos elementos para uma história que parece ser, no mínimo, envolvente.


O filme tem aspectos bastante interessantes. Como foi totalmente filmado na Nova Zelândia, o espectador irá se deparar com locações exuberantes e suntuosas. Os efeitos especiais são muito bons, especificamente no que diz respeito às performances e transformações dos lobisomens. Quanto a isso, o diretor relata que foram feitas sequências inteiras totalmente criadas com computação gráfica. A exigência de Tatopoulos foi bem grande, pois além de diretor, ele tem também tem a visão e a técnica de um especialista em efeitos e designer.


Provavelmente o que mais consegue chamar a atenção na obra é a estética utilizada. O filme apresenta uma coloração azulada, criando assim um aspecto sombrio, obscuro e sinistro, que irá inserir o público no clima e na atmosfera desejada pelos realizadores. As cenas, em geral, são escuras, apresentam baixa luminosidade, dando assim a sensação de estarmos diante de um mundo cruel e sem vida.


A estrutura narrativa é absolutamente clássica e linear. Temos início, meio, fim, protagonistas, antagonistas, amores conflituosos. Uma receita bastante clichê, mas que ainda assim pode, e costuma, gerar resultados satisfatórios e também lucrativos.


A trama até soa interessante, embora esteja bem longe de ser original. É uma espécie de “Romeu e Julieta” com roupagem absolutamente distinta. Na verdade, hoje já é bastante comum identificarmos obras com natureza semelhante no que diz respeito às lutas e conflitos entre seres de natureza monstruosa. Casos como “Van Helsing – O caçador de Monstros” de Stephen Sommers, “Alien vs. Predador” de Paul W. S. Anderson e “Freddy vs. Jason” de Ronny Yu são belos exemplos. Obviamente que “Anjos da Noite – A Rebelião” possui uma identificação muito maior com a obra de Sommers, pois ambos trazem a presença tanto de vampiros quanto de lobisomens. É importante também lembrarmos que a idéia da trama dirigida por Tatopoulos é até mais antiga do que a aventura de Van Helsing, pois este é o terceiro filme da saga dos Lycans. Os dois primeiros filmes foram “Anjos da Noite” e “Anjos da Noite – Evolução”, ambos de 2003 e 2006 respectivamente.


Apesar de todo o aspecto tecnológico ser muito bem cuidado e de contar com um trabalho bastante apurado quando falamos em efeitos visuais, especiais e maquiagem, “Anjos da Noite – A Rebelião” fica a desejar em termos de estrutura. O roteiro em si não chega a ser ruim, mas ao longo dos 92 minutos de exibição o espectador se levanta da poltrona com uma sensação de que faltou algo para, de fato, chamar a atenção. Talvez este aspecto esteja relacionado à direção, talvez seja a própria temática em si que não contribua muito, mas o fato é que o filme não convence, tampouco empolga.


No livro “Estética do Cinema” de Gérard Betton há uma citação da cineasta Liliana Cavani que diz: “Espectadora de cinema ou de teatro, quero ser surpreendida pelo que vejo. Caso contrário, terei a impressão de estar escutando pela centésima vez um concerto ou um discurso. Isto não me impede de preferir alguns momentos a outros, mas quero receber uma impressão imediata para saber se o espetáculo será bom ou não.” A afirmativa de Cavani parece resumir um pouco do que ocorre com a obra de Tatopoulos. O espectador não é surpreendido e as impressões imediatas não têm força suficiente para despertar interesse, fazendo assim com que o filme se torne uma obra morna.


No final do filme o diretor já deixa clara a proposta de uma continuação e, independente das mãos que irão reger tal sequência, esperamos sinceramente que esta possa ter maior êxito, fazendo assim com que a obra atinja um lugar de destaque e reconhecimento junto aos bons títulos existentes que pertencem a este gênero.



BIBLIOGRAFIA:


BETTON, Gérard. A Estética do Cinema. São Paulo: Ed. Martins Fontes. 1ª edição 1987, 122p.


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http://omelete.com.br/cine/100019229/Omelete_Entrevista__Patrick_Tatopoulos__o_diretor_de_Anjos_da_Noite__A_Rebeliao.aspx>. Acesso em 04.2009.

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